Os jornalistas que tratam a verdade e a sensatez a socos e pontapés passaram os últimos 11 meses repetindo aos leitores, ouvintes e telespectadores a profecia irrevogável: quando dezembro chegasse, a situação da economia brasileira estaria pior do que estava no dia da posse do presidente jair Bolsonaro. Se continuasse no cargo, o ministro Paulo Guedes seria uma triste caricatura do onisciente e onipresente posto Ipiranga que o candidato eleito encarregara de salvar o Brasil.

Os profetas de apocalipses imaginários esqueceram de combinar com os fatos, informa a mais recente pesquisa Datafolha. Os números divulgados pela Folha no domingo e na segunda-feira constataram que subiu cinco pontos percentuais, em relação ao levantamento concluído em agosto, o índice dos que consideram bom ou ótimo o desempenho de Paulo Guedes. Os brasileiros estão cada vez mais confiantes na política econômica, na intensificação do ritmo da retomada do crescimento e na superação da crise que, segundo a imprensa convencional, ainda passaria por um doloroso período de recessão.

Tudo somado, o homem marcado para morrer por videntes de araque está mais ministro do que nunca. O que dirão agora os doutores em Brasil que tudo sabem, tudo veem e não acertam nunca?

Provavelmente avisarão que a alta do preço da carne devolverá a inflação às altitudes alcançadas nos tempos de Dilma Rousseff. Ou que os efeitos positivos da reforma da previdência serão anulados pela demora na tramitação de outras reformas indispensáveis. Ou, ainda, que a ausência de Jair Bolsonaro na festa de posse do novo presidente da Argentina causará estragos pavorosos nas relações comerciais com o vizinho ao sul.

Eles não se importam com o mundo real retratado por pesquisas. Não dão importância ao que pensa a gente comum. Odeiam notícia boa. Essa tribo acha que o começo da crise é muito mais excitante que o fim.