Jânio Miguel (PR), presidente da comissão processante que analisou a denúncia de quebra de decoro parlamentar de Idenor Machado (PSDB), acusa equívoco em relatório que pedia a cassação do tucano. O relator Júnior Rodrigues (PR), assim como Jânio, justifica a mudança de opinião no plenário da Casa pela qualidade da defesa apresentada.

Ambos entregaram relatório pedindo a cassação de Idenor na semana passada, mas na hora de votar no plenário da Câmara de Vereadores durante a sessão de julgamento, realizada ontem (20) à noite, Jânio e Júnior voltaram atrás e optaram pela absolvição do parlamentar.

Idenor está afastado da atividade legislativa por suspeita de integrar um grupo criminoso que, supostamente, fraudava licitações na Câmara. Além dele, os vereadores Cirilo Ramão (MDB) e Pedro Pepa (DEM) também estão entre os envolvidos. O julgamento de ontem poderia cassar o mandato e privar os direitos políticos do acusado.

“Na verdade a gente se equivocou, essa é a verdade. É um processo onde incluiu os três, então pode colocar que houve um equívoco do relator Júnior. Eu particularmente era neutro, e depois tentei entregar outro relatório para a não cassação, mas o presidente da Casa não acatou”, disse.

Novamente questionado sobre onde teria ocorrido o “equívoco”, Jânio ressaltou que teria sido na produção do relatório e embalou: “ele [Júnior Rodrigues] sabia que o nosso voto era contrário à cassação”.

A reportagem entrou em contato com Rodrigues para entender melhor os motivos que levaram a mudança de opinião sobre a cassação no plenário. O parlamentar se apoio na qualidade da defesa oralizada.

“Nós encaminhamos um parecer para a Câmara, mas diante da defesa, de tudo o que foi explanado pela defesa, eu entendi que poderia dar meu voto absolvendo o vereador Idenor, até porque eu sou senhor do meu voto. Eu cheguei ao entendimento durante a sessão ontem, diante da defesa do Dr. Felipe Azuma [advogado de Idenor] que o vereador merecia meu voto de absolvição e aí eu votei, mesmo contrariando o meu relatório”, disse.

O que chama atenção é que, durante o processo de apuração do caso, a defesa já havia se manifestado.

Questionado sobre isso várias vezes durante a entrevista, Rodrigues garantiu que a apresentação não teria ocorrido. Porém, no próprio relatório produzido por ele consta o posicionamento dos advogados de Idenor, apresentando todos os argumentos contrários ao pedido de cassação.

Jânio Miguel citou o mesmo fator como motivo para a mudança. Questionado sobre o que havia sido diferente no argumento durante a sessão e no parecer da defesa durante as oitivas, o parlamentar se apoiou na verbalização do parecer.

“O cara [advogado] foi perfeito, ele mostrou tudo, tudo, tudo. Ele foi muito transparente”, afirmou.

Para o relator Júnior Rodrigues, a argumentação foi capaz de derrubar por terra todos os indícios de corrupção identificados na denúncia do Ministério Público, mesmo a defesa já tendo se apresentado durante as oitivas.

Dourados News buscou contato com o membro da comissão processante, Cido Medeiros (DEM), mas o parlamentar estava ausente no gabinete e o telefone desligado. Na sessão de ontem ele manteve o posicionamento da comissão e votou pela cassação de Idenor Machado.