O vereador Idenor Machado (PSDB) foi empossado na manhã desta terça-feira (8) após 10 meses afastado do cargo parlamentar devido a decisão da Justiça após a Operação Cifra Negra, que investiga suposta corrupção em processos de licitação na Casa de Leis.

A restituição do cargo foi assinada às 11h na sala da Procuradoria Jurídica da Câmara e contou com a presença de vereadores da base aliada e oposição ao governo, assessores e familiares.

Em sua fala, Idenor se emocionou e chorou dizendo que “ninguém gostaria de passar pelos obstáculos. A vida não é fácil. É uma eterna conquista”, lembrou a decisão de pleitear as eleições e também agradeceu a determinação da Justiça na restituição do cargo.

“A Justiça me tirou, a Justiça me deu retorno ao cargo. Essa questão da gente ter essa convivência com os outros vereadores que foram acusados é complicado. Vocês não sabem como é difícil estar afastado dez meses de um amigo seu, pessoas que foram assessores que hoje eu não posso falar porque foram arrolados no processo. Mas, a gente vai tentar transformar isso em soma para que a gente possa desenvolver esse final de mandato”, afirmou.

Em seguida o parlamentar expressou interesse em retomar o cargo “sem rancor nenhum”.

“Quero voltar para contribuir. O que eu já idealizei por essa Câmara eu quero que um dia, mesmo que não dê tempo o ano que vem, a gente tem que colocar isso”, disse.

Após a fala de retomada de cargo, Idenor passou a criticar a situação remuneratória dos vereadores de Dourados.

Ele deu ênfase na dificuldade de recebimento de verbas indenizatórias, comparando a Casa de Leis douradense com o legislativo da Capital.

“Hoje o vereador de Dourados está perdendo dinheiro do seu salário líquido e certo. Enquanto Campo Grande paga 50%, 75%, dos salários dos vereadores da Capital, Dourados não pode aplicar a mesma lei que nós fizemos aqui. Nós fizemos uma lei e essa lei não foi revogada. E hoje o vereador não está recebendo os 50% que lei, a constituição manda pagar. E o Tribunal de Contas alega o seguinte: ah, vocês não podem aumentar o salário de vocês. Nós não aumentamos o salário. Quem aumenta é a Assembleia Legislativa. Apenas aplicados o divisor por dois, que é 50% do salário do deputado estadual. Eu quero que os vereadores da nossa cidade possam ter essa dignidade de ser considerado como os vereadores de Campo Grande. Lá eles têm verba indenizatória, nós aqui só levamos tinta. A verba indenizatória é legal, é constitucional, mas não é para nós aqui em Dourados. Então nós moramos em outro país? É isso que nós precisamos levar avante, procurar os meios necessários para que nós possamos ter os mesmos direitos”, reclamou.

Após a fala, Idenor foi reconhecido no questionamento pelos parlamentares da base aliada. “Obrigado Idenor, pela parte que me toca”, disse Júnior Rodrigues (PR). O presidente da Câmara também manifestou sobre o assunto. “Três anos e meio e não desenvolvemos isso”, afirmou.

Ao Dourados News, o parlamentar investigado no suposto esquema de corrupção disse que espera que até segunda-feira (14) tenha o parecer da Justiça quanto a proximidade com os outros dois investigados: Cirilo Ramão (MDB) e Pedro Pepa (DEM). Ambos já estão com mandato ativo, no entanto estão se desdobrando para não descumprir medida que determina o distanciamento entre os envolvidos na operação.

Idenor disse também que assume o gabinete já exonerando de forma imediata toda equipe de assessores do suplente Toninho Cruz (PSB), inserindo novos profissionais para o trabalho legislativo.

Sobre a ação na Justiça que investiga o envolvimento de Idenor em suposto esquema de corrupção no setor de licitações da Casa, o parlamentar se reservou em dizer que aguarda o seguimento do processo com expectativa de provar inocência. Na Operação Cifra Negra, o MPE (Ministério Público Estadual) apresentou indícios de que parlamentares receberiam propina para garantir o monopólio de empresa do setor de TI (Tecnologia da Informação) entre os contratos da Câmara.