Preso na cidade de Ribas do Rio Pardo sob acusação de matar uma pessoa, Fábio Araújo dos Santos, de 21 anos, afirma ter vivido momentos de terror durante os 11 dias em que ficou detido, inclusive, com direito a sessões de tortura. A história, repleta de erros, só teve fim depois de a suposta vítima aparecer na delegacia para dizer que estava viva.

O jovem explica que tudo começou na noite de sábado, último dia 16. Ele conta que estava em casa quando percebeu a entrada do delegado Bruno Santacatharina, titular da cidade, e de um policial civil. “O policial me mandou ajoelhar e colocar a mão na cabeça se não ia me dar um tiro. Nisso, me empurrou e saiu me arrastando até a varanda da minha casa. Lá, sentou nas minhas pernas que estavam cruzadas, me algemou e me jogou na viatura”, relata.

Durante toda ação policial, o jovem conta que não teve nenhuma explicação sobre o crime que estava sendo acusado. Somente na delegacia a vítima foi questionada sobre ‘o corpo’. “Eu disse que não sabia de corpo nenhum e o policial já me deu um tapa no rosto dizendo que eu sabia sim”, conta.

Sessão tortura

Na segunda feira, Fábio afirma que passou a ser torturado por policiais que cobravam uma confissão sobre o suposto homicídio. “Eles me afogaram, colocaram um saco de lixo na minha cabeça e me sufocaram. Eu já não aguentava mais, estava quase morrendo”, lembra.

Durante a sessão tortura, o jovem afirma que chegou a dizer aos agentes que tinha problemas respiratórios, mas ainda assim, as agressões não pararam. Com medo de morrer, ele conta que preferiu confessar um crime que não havia cometido. “Eu pedia pelo amor de Deus para que parassem de fazer aquilo, mas não adiantava. Para fazer eles pararem, acabei falando que matei”, relata.

Para provar a ‘confissão’, Fábio conta que os policiais o fizeram gravar um vídeo onde assumiu ter matado.

Morto na delegacia

Quatro dias depois de confessar um homicídio sob tortura, Fábio lembra que a suposta vítima foi até a delegacia para dizer que estava viva. Mesmo depois disso, o jovem explica que foi solto somente dois dias depois, na segunda-feira, exatamente onze dias depois de ter sido preso. “O homem que me acusavam de ter matado foi lá e prestou depoimento, mas só em soltaram dois dias depois”, afirma.

Agora, o jovem que nunca teve passagens pela polícia afirma que quer Justiça. Ele conta que já entrou em contato com uma advogada para que as medidas cabíveis em relação ao caso sejam tomadas.

“Quero Justiça, não é certo o que fizeram comigo. Estou envergonhado diante das pessoas e com medo. Para muitos, hoje sou um criminoso e isso me prejudica muito, inclusive, para arrumar um emprego e poder ajudar minha mãe que é doente”, finaliza.

Ligamos para o delegado Bruno Santacatharina para questioná-lo sobre o caso, mas não conseguimos contato. Até o fechamento desta matéria, a assessoria de comunicação da Polícia Civil também não havia se manifestado.