Vistoria que teve início por volta das 7 horas desta quinta-feira (17) no PED (Presídio Estadual de Dourados) esbarrou um princípio de represália por parte dos detentos, que foi controlado pela Polícia Militar. A ação apreendeu aparelhos celulares, facas e até um modem.

Conforme apurado pelo Midiamax, a ação acontece no Raio 2 do PED, que seria ocupado por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). São aproximadamente 5 horas de vistoria, feita por agentes penitenciários com auxílio do Batalhão de Choque, que faz a retirada e contenção dos presos das celas.

Os agentes e policiais teriam enfrentado represália no início do pente-fino, com bateção de grade e até objetos arremessados, que foi controlada. Até o momento a informação é de que celulares, drogas, facas e um modem foram apreendidos, mas não foi divulgado número exato. A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirma que a vistoria estava no cronograma das ações.

Ainda conforme a agência, foi confirmado que no último fim de semana presos planejavam fugir do PED e a segurança foi reforçada no estabelecimento. Segundo o presidente do Sinsap (Sindicato dos Agentes Penitenciários) André Santiago, foram encontradas grades de celas serradas, confirmando a intenção de fuga em massa de detentos.

Ele ressalta a falta de agente penitenciário e de policiais militares no PED, que facilita a ação dos internos no sentido de entrada de materiais ilícitos e de fuga.

Na última terça-feira (15), matéria divulgada pelo Jornal Midiamax revelava indícios de que as celas nas unidades prisionais da Agepen se tornaram verdadeiros ‘escritórios’ para gestão do PCC, conforme apontado por investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Interno de sistema prisional da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) de MS divulgou que muitos aparelhos entram por meio de agentes, que recebem algo em torno de R$ 300 para entregarem os celulares aos responsáveis pelo comércio nos presídios, os presos que trabalham nas cantinas.

Já para os internos o valor varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil conforme a qualidade do aparelho. Uma fonte da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) revelou que mesmo aos policiais do Batalhão de Choque, algumas celas seriam ‘blindadas’ para vistoria, já que conforme o interno do presídio, todas as celas têm celulares, mas apenas em algumas estão os ‘mocós’.

Os aparelhos ficam escondidos em buracos e até mesmo nos sanitários das celas e um detento se responsabiliza se o material ‘cair’. Dali, os outros bancam em torno de R$ 500 cada na defesa do detento se ele for preso. A Agepen afirmou, ainda, que usa bloqueadores e scanners para combater a entrada e funcionamento dos telefones nas unidades.

Em relação à denúncia de servidores envolvidos nas irregularidades, a Agepen diz que a corregedoria está apurando os casos. Sobre as vistorias, a agência explica que elas são feitas ‘de forma pontual, em algumas celas específicas’. Segundo o órgão, existem revistas pontuais, com levantamento prévio de inteligência e as gerais, em todas as celas, que seriam baseadas em ‘levantamentos de inteligência’.

Sindicato denuncia ‘farra do boi’ nos presídios sem PM

Enquanto isso, uma briga administrativa pode piorar ainda mais o quadro. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários, o efetivo não é suficiente para coibir a entrada de aparelhos e de drogas pelas muralhas dos presídios. O presidente do sindicato pontuou que a entrada dos produtos tem ocorrido em vários horários do dia.

“Não tem policiamento nas muralhas, aquilo virou a farra do boi. Eles sabem os horários que os presos vão estar no banho de sol e jogam os aparelhos pela muralha, até durante o dia”, pontuou. Segundo ele, muitos aparelhos entram pela Máxima e são redistribuídos pelos presos para as outras unidades do complexo prisional, exemplificando a situação dos presídios de Campo Grande.