Profissionais da educação pública municipal foram à Prefeitura de Dourados na manhã desta segunda-feira (9) cobrar um posicionamento político da prefeita Délia Razuk. A categoria queixa-se de descaso por causa de cinco meses consecutivos de atrasos salariais e diz temer um possível fechamento de anos finais do ensino fundamental.

Munidos de faixas e cartazes, o grupo organizado pelo Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados) fez uso de um carro com sonorização amplificada para elevar o tom do protesto no CAM (Centro Administrativo Municipal).

“É o quinto mês consecutivo que estamos com atraso salarial e a gente vem enfrentando isso desde o ano passado. Mas na semana passada fomos notificados que a administração está fechando oitavos e nonos anos em algumas escolas do município. Isso é gravíssimo para o contexto da educação no município, porque os recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] vêm em cima da etapa da educação, e o ensino fundamental, do sexto ao nono, tem recursos maiores do que do primeiro ao quinto e que a educação infantil, mais caras. Ela está entregando a parte que tem mais recurso e custa mais barato e ficando com a parte mais cara que tem menos recurso”, explicou Gleice Jane Barbosa, vice-presidente do sindicato.

Segundo ela, essas mudanças vão provocar prejuízos drásticos para a educação. “Viemos dizer para a prefeita que não dá para fechar esses períodos e querer entender também qual que é a lógica da administração, por que ela está prejudicando os trabalhadores, colocando em risco o emprego dos professores”, pontuou

Presidente do Simted, Juliano Mazzini informou ao Dourados News que durante o ato desta manhã seria protocolado um ofício com pedido de reunião com a prefeita.

“Os secretários têm nos atendido para dialogar, mas nós precisamos que a prefeita, em pessoa, se posicione, dizendo qual é o direcionamento que ela está dando para os secretários, qual a conduta dessa gestão dela com relação à educação. Nós não temos isso, eu me recordo de uma reunião somente que a prefeita apareceu, com todas as categorias, e permaneceu pouquíssimo tempo alegando que tinha outro compromisso”, detalhou.

Para o líder sindical, “a cidade de Dourados merece uma gestora que se posicione, que esteja presente nas decisões políticas, porque as decisões não são só de encaminhamento financeiro, elas são decisões políticas”.

Procurada, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Dourados alegou que somente o secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica, Celso Antonio Schuch Santos, poderia manifestar-se sobre o protesto desta manhã, porém, estava em Campo Grande.

Na semana passada, ao ser notificado pelo Simted sobre a paralisação de hoje, Schuch declarou estar “confiante em poder cumprir com o pagamento dos salários de todos os servidores dentro dos prazos estabelecidos por lei” e acrescentou estar decepcionado “com a atitude dos trabalhadores da educação de quem esperávamos que fossem menos afoitos”.

Na quinta-feira (5), a Prefeitura de Dourados anunciou que os 2.489 servidores com salários líquidos superiores a R$ 3.450 não receberiam os proventos no dia seguinte, o 5º útil do mês. Os pagamentos em dia foram feitos para 4.676 trabalhadores que ganham até R$ 3.450,00 líquidos, incluindo 1.516 que recebem com recursos do Fundeb.