Depois de seis dias preso por dirigir embriagado, o ex-tenente da Polícia Militar José Gomes Rodrigues, de 57 anos, deixou o Centro de Triagem no final da manhã deste sábado. A prisão dele foi revogada ontem (22) pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande.

No seu despacho, o juiz justifica a decisão de permitir o direito do ausado responder em liberdade pelo seu endereço fixo e bons antecedentes, mas na verdade considerou a alegação de que Rodrigues sofre de esquizofrenia. O ex-PM foi flagrado por um guarda civil no último domingo, por volta das 23h, em seu Ford Focus sem placas, com uma lata de cerveja na mão. Na ocasião, ele ainda se identificou como oficial da corporação, utilizando um holerite antigo para juistificar a patente.

Advogado do ex-tenente, Jakson Yamishita, do mesmo escritório de José Roberto Rodrigues da Rosa, disse à imprensa que o cliente deve ficar em Terenos, onde tem residência fixa, ou hospedado em Campo Grande com familiares. Ele deixou o Centro de Triagem acompanhado da filha e sob efeito da medicação que toma para esquizofrenia.

O ex-policial foi identificado como o responsável por furtar o corpo da ex-mulher, Rosilei Potronieli, do cemitério municipal de Dois Irmãos do Buriti, no último dia 11. Rosilei morreu esfaqueada dois dias antes, em Terenos, depois de uma briga de bar e teve o corpo enterrado por José Gomes em sua chácara, em Campo Grande.

Segundo a Polícia, o suspeito que alega ser esquizofrênico, disse que o crime não foi premeditado e que seu primo Edson Maciel Gomes, que está preso desde o dia 14, foi quem o incentivou o crime e o ajudou. Rodrigues também alegou que ouvia a voz de Rosilei dizendo que não estava bem e que constantemente vê pessoas que não existem. Os dois tiveram um relacionamento estável de sete anos.

Em relação ao furto do cadáver, o caso ainda está em fase de investigação, e se após encaminhado ao MPE (Ministério Público Estadual), o órgão oferecer denúncia, a defesa informou que vai trabalhar com a inimputabilidade de José Gomes.

“Não é uma tese da defesa, é um fato. Vinte anos atrás, ele que era da área militar, foi reformado por conta dessa condição de ser portador de doença mental. É uma doença que não tem cura”, explica o advogado Jakson.

Paralelo a isso, a filha do ex-PM também entrou com ação na área cível para interdição do pai, ainda segundo a defesa, independentemente dos crimes que ocorreram.