A Polícia Militar de São Paulo aplicou 6.743 autuações em motoristas pegos nos testes de bafômetro entre janeiro e março de 2019. O número representa uma autuação a cada três horas no Estado para motoristas que estão dirigindo com mais álcool no sangue no que o permitido.

O total de autuações por bafômetro no primeiro trimestre deste ano é 38,5% maior do que o mesmo período do ano passado, quando houve 4.866 multas.

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Os dados da PM ainda mostram que houve outras 126 autuações por outros tipos de alterações na capacidade psicomotora do motorista.

O presidente da Comissão de Direito do Trânsito da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo), advogado Rosan Coimbra, acredita que, mesmo com o aumento de autuações, “as pessoas já estão conscientes do risco que é beber e dirigir”.

“Temos visto em todos meios de comunicação a advertência e os motoristas sabem o quanto é perigoso. A parte de chamar atenção dos motoristas tem sido feita, agora eles sabem que podem causar acidentes e levar multas”, explica Coimbra.

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O enfermeiro Kenny Freitas, 33 anos, tinha consciência do risco de ser pego no teste do bafômetro, mas acredita que a lei seja rigorosa demais. “Mesmo quem bebe socialmente, sem apresentar nenhum sinal de embriaguez, cai no bafômetro”, afirma.

Ele foi autuado e teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa em outubro do ano passado, após se recusar a fazer o teste. Ele afirma que estava vindo de um plantão no serviço, parou no aniversário de uma amiga e, quando estava voltando para casa, foi parado em uma blitz.

O enfermeiro afirma que, por saber do rigor, recusou a assoprar o bafômetro. “O policial disse que não iria me levar para delegacia porque eu não apresentava nenhum sinal de embriaguez, mas iria me autuar e eu precisava chamar alguém para levar o carro.”

Foi o que ele fez: chamou uma amiga para retirar o carro. Mas o enfermeiro não sabia que chegaria em sua casa uma notificação de que a habilitação foi suspensa. Um ano sem poder dirigir.

Os motoristas autuados devem pagar uma multa de R$ 2.934,70, valor dez vezes maior do que as de infrações gravíssimas. A lei ainda prevê a suspensão do direito de dirigir por um ano.

O presidente da comissão da OAB-SP afirma que as medidas “têm combatido de forma veemente os motoristas que insistem em beber e dirigir”.

Coimbra diz que “o esforço legal feito é o que basta para as pessoas serem conscientes, e as consequências para quem bebe e dirige são severas o suficiente”.